Aquecimento global deixará maconha mais potente

Foto: tuasaude.com
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O aquecimento global irá modificar propriedades terapêuticas da plantas. Essa é a conclusão de alguns biólogos ao analisar o aumento da temperatura global no desenvolvimento de alguns vegetais. Isso potencializará os efeitos da maconha. Segundo Lewis Ziska, pesquisador especializado nos padrões migratórios das plantas diante das mudanças climáticas, os pés de maconha precisarão de menos água e se tornarão mais fortes. Ou seja, o reino vegetal está se adaptando a um mundo mais quente e com menos água disponível, segundo o Daily Climate.

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Fisiologista vegetal do Departamento de Agricultura dos EUA, Ziska faz uma comparação para explicar essas mudanças: “Quando as plantas evoluíram na Terra, a atmosfera tinha 1 mil partes por milhão de CO2 na atmosfera, hoje temos 400 ppm e a perspectiva é de alta”. Nos últimos três séculos, a concentração de CO2 na atmosfera subiu de 280 para 400 ppm. Essa alta irá fazer a temperatura da Terra em pelo menos 2 graus Celsius até 2100.

James Duke, pesquisador aposentado do Departamento de Agricultura dos EUA, compartilha da opinião de Ziska. Quando colocadas sob condição de estresse ambiental, as plantas tendem a reforçar suas propriedades. Segundo Duke, apenas 4% das espécies vegetais se desenvolvem melhor em baixos níveis atmosféricos de carbono. A enorme maioria ainda se ressente da falta de CO2 observada milhões de anos atrás.

O tetrahidrocarbonol (THC), princípio ativo da maconha, originalmente é um repelente de pragas. O THC ajuda a cannabis sativa a se livrar de doenças. “As plantas não podem se defender como os animais”, explica Ziska. Milhões de anos depois, algum humano resolveu enrolar a cannabis em papel e fumar: o efeito psicoativo é apenas um subproduto dessa evolução vegetal.

Com a liberação do uso da maconha em alguns estados dos EUA, há uma corrida por outro recurso natural escasso na região: a água. Estudo do Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia estimou o uso de 36 milhões de litros de água a cada ano para irrigar os pés de maconha produzidos apenas naquele estado. Junte-se isso à severa estiagem de dois anos na região e os produtores já preveem um aumento nos preços da maconha.

Biólogos anteveem outra consequência da estiagem sobre o plantio da maconha. Para usar menos água, os produtores cultivarão a cannabis em terrenos mais altos. Desse modo, outros ecossistemas da Califórnia estarão sob ameaça. Os efeitos já se fazem sentir: a marta pescadora, mamífero carnívoro, está em extinção por conta do veneno de rato usado para proteger as plantações de maconha.

Pesticidas são outro problema trazido pelo cultivo comercial da maconha. Mourad Gabriel, do Centro de Pesquisa Ecológica Integral, diz que a solução será o plantio de maconha orgânica. David Bearman, médico especializado em maconha medicinal, diz que a maconha passará por controles de qualidade e que, no futuro, a planta orgânica será tão valorizada pelos consumidores quanto os legumes orgânicos que hoje compramos no supermercado.

Na opinião do médico, a solução do problema passa pelo status legal da maconha. De 1854 até 1942, a maconha era liberada para uso medicinal e não haviam os carteis de drogas. O aquecimento global vai mexer com as propriedades da maconha e isso vai acirrar o plantio. Conseguiremos criar uma maconha ambientalmente sustentável ou era será vítima dos pesticidas assim como os alimentos agrícolas? (vi no Opera Mundi)

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Charles

Jornalista desde 2001. Já cobriu Economia, Meio Ambiente e Tecnologia, com passagem pela Agência USP de Notícias, jornal DCI, MSN, UOL e Yahoo. Já foi correspondente internacional do site Opera Mundi. Mestre em Jornalismo pela USP, dá aula sobre Informação e Novas Mídias na ECA/USP e é fascinado pelas novidades que aparecem na internet.

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